Quando Você Chegou
- setembro 10, 2026
Uma mãe e esposa americana que construiu sua imagem em torno dos valores tradicionais desperta repentinamente em meio à sujeira e ao frio, dentro de uma casa que parece ser a sua. Ao seu redor estão pessoas que afirmam ser sua família.
O problema é que ela está vivendo em 1855. Agora, Natalie precisa descobrir se tudo não passa de uma encenação, de algum reality show perturbador ou de algo ainda mais assustador.
Natalie parece ter conquistado o sonho perfeito. É profundamente religiosa, vive em uma fazenda espetacular que poderia facilmente servir de cenário para um filme de Hollywood, tem seis filhos e um marido que, apesar de não ser exatamente um homem de grandes talentos, fica bastante convincente usando botas de cowboy.
Por trás dessa imagem idílica, porém, existe toda uma estrutura que ajuda a sustentar sua rotina: babás, produtores e uma equipe trabalhando nos bastidores. Até mesmo sua cozinha de aparência rústica conta com equipamentos industriais cuidadosamente escondidos.
Para seus milhões de seguidores, contudo, esses detalhes pouco importam. Natalie representa exatamente aquilo que eles desejam enxergar: uma existência perfeita, baseada na fé, na família e nos valores tradicionais.
Qualquer problema é cuidadosamente ocultado. E as críticas das mulheres que consideram seu estilo de vida antifeminista e ultrapassado? Para Natalie, são apenas manifestações de inveja vindas de mulheres privilegiadas da Costa Leste, muitas delas formadas em universidades de elite. Afinal, ela acredita ter algo que elas jamais conseguiram: a vida ideal. E está determinada a transformar essa imagem em um verdadeiro império.
Tudo muda quando Natalie desperta em uma versão aparentemente familiar de sua própria realidade. A casa continua lá. O marido e os filhos também. Mas alguma coisa está profundamente errada. Não existe eletricidade, as crianças estão imundas e o homem que antes parecia um herdeiro mimado e pouco útil agora se comporta como um verdadeiro fazendeiro do século XIX.
A rotina glamourosa desapareceu completamente. Em vez de posar diante de potes de geleia artesanal para seus seguidores, Natalie precisa cortar lenha, cuidar das tarefas domésticas e lavar roupas à mão até machucar os dedos.
Mas o que realmente aconteceu?
Ela estaria participando, sem saber, de um reality show macabro? Teria sido transportada para o passado? Seria tudo uma espécie de provação enviada por Deus — ou pelo próprio Diabo? Ou existe uma explicação ainda mais perturbadora?
Pela primeira vez, Natalie pode ser obrigada a experimentar exatamente a vida que passou tanto tempo fingindo levar. E quanto mais ela tenta compreender aquela realidade, mais percebe que escapar dela talvez seja muito mais difícil do que imaginava.
Com uma combinação irresistível de humor, suspense e estranheza, Bons tempos é uma estreia provocadora que questiona os limites entre tradição e aparência, fé e fanatismo, fama e realidade, além de explorar o quanto a imagem de uma feminilidade perfeita pode ser, na verdade, uma grande encenação.
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Claire Burke é formada em Belas Artes pelo Bennington Writing Seminars e divide a apresentação do podcast Diabolical Lie, dedicado a temas relacionados à política e à cultura. Bons tempos (Yesteryear) marca sua estreia na literatura de ficção e ganhará uma adaptação cinematográfica protagonizada por Anne Hathaway.
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